Mestre Daniel Gaspar deixa um legado de dedicação ao Tambor de Crioula e à cultura maranhense; ex-conselheiro João Costa foi um dos primeiros a prestar homenagem ao mestre.
Por: Mauro Garcia — DRT/MA: 1279
Liderança cultural e comunitária, Daniel comandava o Tambor de Crioula Alegria do Maranhão e participou da organização de movimentos sociais no Itaqui-Bacanga
A cultura maranhense perdeu, na noite de sexta-feira (6), uma de suas referências na Vila Embratel, em São Luís. Daniel Ferreira Gaspar, conhecido na comunidade como mestre Daniel Gaspar, morreu por volta das 22h, na Unidade Mista da Vila Isabel, na região do Itaqui-Bacanga.
Segundo familiares, Daniel enfrentava problemas de saúde havia mais de seis meses e não resistiu a uma parada cardiorrespiratória.
Mestre Daniel era uma das principais referências do Tambor de Crioula Alegria do Maranhão, grupo cultural sediado na Vila Embratel e ligado à preservação de uma das manifestações mais tradicionais do Maranhão.
O Tambor de Crioula do Maranhão foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil em 2007, com registro no Livro das Formas de Expressão. O título foi revalidado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em 2021.
Daniel Gaspar dedicou parte de sua trajetória à preservação dessa tradição cultural na Vila Embratel e na região do Itaqui-Bacanga.
Atuação comunitária
A atuação de Daniel, porém, não se limitava à cultura. Ele também participou de iniciativas voltadas à organização comunitária e à defesa de demandas dos moradores da região.
Foi na sede do Tambor de Crioula Alegria do Maranhão, localizada na rua da Embratel, na Vila Embratel, que ocorreu uma das primeiras reuniões para a organização da antiga Federação das Entidades da Área Itaqui-Bacanga (Feiba), em 2010.
Participaram daquele processo lideranças comunitárias como Maria José Everton, Antônia Romão, Maria da Chegança e José do Sorvete.
Entre as reivindicações discutidas naquele período estava a criação de uma linha de transporte coletivo ligando a Vila Embratel a outras áreas de São Luís.
Daniel também participou da articulação que deu origem ao Movimento Social Força Comunitária de São Luís, cuja organização teve ligação com a sede do grupo cultural na Vila Embratel.
Defesa do transporte comunitário
Em 2012, Daniel Gaspar participou, ao lado do jornalista e líder comunitário Mauro Garcia e do advogado e ex-conselheiro tutelar João Máximo Costa, de mobilizações em defesa da permanência dos veículos de lotação utilizados pelos moradores da Vila Embratel.
A questão do transporte voltou a ser discutida anos depois em reuniões comunitárias, entre elas uma realizada em março de 2023, no Colégio Francisco Ximenes.
A trajetória de Daniel reuniu, assim, duas frentes que marcaram sua vida pública na comunidade: a preservação da cultura popular e a participação nas lutas por melhorias para os moradores do Itaqui-Bacanga.
Despedida

Familiares, amigos, integrantes de grupos culturais e lideranças comunitárias participaram do velório de Daniel Gaspar, realizado na Vila Embratel.
O sepultamento está previsto para as 9h deste domingo (8), no Cemitério do Residencial Paraíso, em São Luís.
A morte de mestre Daniel deixa uma lacuna na cultura popular maranhense e na vida comunitária da Vila Embratel, onde construiu sua trajetória e ajudou a preservar uma tradição que ultrapassou as fronteiras do bairro e passou a integrar o patrimônio cultural brasileiro.
O velório realizado na sede do grupo folclórico












