Você já
ouviu falar sobre o limite na franquia de dados na banda larga fixa?
Provavelmente sim, pois esse é o assunto do momento e está deixando usuários e
consumidores preocupados com uma possível aprovação de lei, que permitirá o
limite da internet fixa. A mudança na
oferta de internet fixa — aquela usada em casa ou no trabalho — que passou a
ser oferecida em franquias, como já ocorre nos pacotes de celular, fez
brasileiros se manifestarem. Para a Agência Nacional de Telecomunicação
(Anatel), a alteração não viola regras, mas tem de respeitar condições. Mas
então por que as operadoras pensam em limitar a franquia da internet? O
problema não é quantos dados se usa, pois a rede de internet fixa estará sempre
lá para ser usada. O grande problema é quantas pessoas usam simultaneamente e
qual a demanda proporcionada por esses acessos. Imagine duas pessoas usando a
internet, sendo que ambas possuem um plano de 30 mega. Se um usuário estiver
navegando na internet e o outro estiver assistindo um filme online, a demanda
de infraestrutura será muito maior por parte da pessoa assistindo filme, pois
vídeos demandam uma grande quantidade de dados de maneira contínua e
prolongada. Já navegar causa uma pequena demanda de dados e por um pequeno
período (somente até o final de carregamento da página). Enquanto verificamos a
página carregada não usamos rede. Portanto é muito menos provável que duas
pessoas lendo artigos causem demandas sobrepostas quando comparadas à duas
pessoas assistindo filmes online. Infelizmente grandes demandas de dados por
períodos prolongados causam alto consumo de franquia de dados. Portanto ao
limitar a franquia de uso as operadoras acabam protegendo suas redes, inibem
consumidores a realizar atividades como assistir vídeos, filmes, games e outras
tarefas que demandam grande quantidade de dados. Quanto é a franquia de cada
operadora? Recentemente a Vivo causou uma grande repercussão no mercado ao
impor limites de franquia nos seus pacotes ADSL (ex-Speedy) e Fibra. Clientes
ADSL que adquiriram o pacote antes de 04/02/2016 e clientes Fibra que
contrataram antes de 01/04/2016 permanecerão com seus pacotes ilimitados.
Promocionalmente, todos os clientes Fibra posteriormente poderão continuar com
planos ilimitados até o final deste ano. As operadoras Oi e NET há muito tempo
já possuem limite de franquia em seus contratos de internet. Porém a NET o
aplica raramente e a Oi não o aplica. A TIM ainda não possui limite de franquia
previsto em contrato, porém seus serviços de internet somente estão disponíveis
para as cidades de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro e São Paulo. No
gráfico abaixo há uma ilustração de dados consumidos por hora: Vale ressaltar
que vídeos, filmes e games são os grandes vilões da navegação com velocidade
máxima por períodos prolongados. Também é importante lembrar quanto maior a
velocidade do plano menos tempo é necessário para efetuar o download de um
filme ou vídeo. Como funciona lá fora? No Reino Unido os consumidores
beneficiam-se de planos ilimitados. As operadoras deixam claro que planos são
ilimitados usando propaganda com expressões como “realmente
ilimitado”. O cenário não é diferente nos Estados Unidos, onde várias
operadoras também oferecem planos ilimitados. A TEMPO Warner Cable, uma das
maiores operadoras de internet, chegou a oferecer desconto para quem consumisse
dentro de uma determinada franquia, mas a oferta não teve aceitação na sua base
de clientes. Exemplos de operadoras nos Estados Unidos com internet ilimitada:
Verizon, TEMPO Warner Cable e RCN. Existem alternativas para esse problema? As
operadoras poderiam dimensionar suas redes para trabalhar com planos
ilimitados, porém evitando planos com velocidades absurdas. Isso permitiria que
todos navegássemos em uma velocidade descente e sem preocupações. De nada adianta
um plano de 300 Mega, que é cerca de 15 vezes mais rápido que a média da Coreia
do Sul (país com média mais rápida do mundo) se em poucos dias terá a franquia
cortada. Melhor seria um plano de 30 mega ilimitado que possibilita velocidade
adequada para todo tipo de uso residencial e comercial. Preocupado com uma
possível aprovação de lei, um abaixo assinado online reúne mais de um milhão de
assinaturas contra a mudança. Há também uma página no Facebook chamada
“Movimento Internet sem Limites” com cerca de 330 mil curtidas até o
momento. Podemos concluir que se o limite de dados da banda larga fixa for
realmente aprovado, as operadoras terão que ser bem claras e sinceras com os
usuários, apresentando planos que atendam a demanda e, principalmente, com a qualidade
e transparência que é apresentada em outros países. *Jonas Justo é CEO e
fundador da startup Melhor Escolha. Formado Bacharel em Engenharia Elétrica
pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP. Morou em
Londres, onde trabalhou em empresas de telecomunicações como Talk Talk e
Everything Everywhere atuando como gerente comercial e de planejamento. No
Brasil trabalhou na Telecom, Vivo.
ouviu falar sobre o limite na franquia de dados na banda larga fixa?
Provavelmente sim, pois esse é o assunto do momento e está deixando usuários e
consumidores preocupados com uma possível aprovação de lei, que permitirá o
limite da internet fixa. A mudança na
oferta de internet fixa — aquela usada em casa ou no trabalho — que passou a
ser oferecida em franquias, como já ocorre nos pacotes de celular, fez
brasileiros se manifestarem. Para a Agência Nacional de Telecomunicação
(Anatel), a alteração não viola regras, mas tem de respeitar condições. Mas
então por que as operadoras pensam em limitar a franquia da internet? O
problema não é quantos dados se usa, pois a rede de internet fixa estará sempre
lá para ser usada. O grande problema é quantas pessoas usam simultaneamente e
qual a demanda proporcionada por esses acessos. Imagine duas pessoas usando a
internet, sendo que ambas possuem um plano de 30 mega. Se um usuário estiver
navegando na internet e o outro estiver assistindo um filme online, a demanda
de infraestrutura será muito maior por parte da pessoa assistindo filme, pois
vídeos demandam uma grande quantidade de dados de maneira contínua e
prolongada. Já navegar causa uma pequena demanda de dados e por um pequeno
período (somente até o final de carregamento da página). Enquanto verificamos a
página carregada não usamos rede. Portanto é muito menos provável que duas
pessoas lendo artigos causem demandas sobrepostas quando comparadas à duas
pessoas assistindo filmes online. Infelizmente grandes demandas de dados por
períodos prolongados causam alto consumo de franquia de dados. Portanto ao
limitar a franquia de uso as operadoras acabam protegendo suas redes, inibem
consumidores a realizar atividades como assistir vídeos, filmes, games e outras
tarefas que demandam grande quantidade de dados. Quanto é a franquia de cada
operadora? Recentemente a Vivo causou uma grande repercussão no mercado ao
impor limites de franquia nos seus pacotes ADSL (ex-Speedy) e Fibra. Clientes
ADSL que adquiriram o pacote antes de 04/02/2016 e clientes Fibra que
contrataram antes de 01/04/2016 permanecerão com seus pacotes ilimitados.
Promocionalmente, todos os clientes Fibra posteriormente poderão continuar com
planos ilimitados até o final deste ano. As operadoras Oi e NET há muito tempo
já possuem limite de franquia em seus contratos de internet. Porém a NET o
aplica raramente e a Oi não o aplica. A TIM ainda não possui limite de franquia
previsto em contrato, porém seus serviços de internet somente estão disponíveis
para as cidades de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro e São Paulo. No
gráfico abaixo há uma ilustração de dados consumidos por hora: Vale ressaltar
que vídeos, filmes e games são os grandes vilões da navegação com velocidade
máxima por períodos prolongados. Também é importante lembrar quanto maior a
velocidade do plano menos tempo é necessário para efetuar o download de um
filme ou vídeo. Como funciona lá fora? No Reino Unido os consumidores
beneficiam-se de planos ilimitados. As operadoras deixam claro que planos são
ilimitados usando propaganda com expressões como “realmente
ilimitado”. O cenário não é diferente nos Estados Unidos, onde várias
operadoras também oferecem planos ilimitados. A TEMPO Warner Cable, uma das
maiores operadoras de internet, chegou a oferecer desconto para quem consumisse
dentro de uma determinada franquia, mas a oferta não teve aceitação na sua base
de clientes. Exemplos de operadoras nos Estados Unidos com internet ilimitada:
Verizon, TEMPO Warner Cable e RCN. Existem alternativas para esse problema? As
operadoras poderiam dimensionar suas redes para trabalhar com planos
ilimitados, porém evitando planos com velocidades absurdas. Isso permitiria que
todos navegássemos em uma velocidade descente e sem preocupações. De nada adianta
um plano de 300 Mega, que é cerca de 15 vezes mais rápido que a média da Coreia
do Sul (país com média mais rápida do mundo) se em poucos dias terá a franquia
cortada. Melhor seria um plano de 30 mega ilimitado que possibilita velocidade
adequada para todo tipo de uso residencial e comercial. Preocupado com uma
possível aprovação de lei, um abaixo assinado online reúne mais de um milhão de
assinaturas contra a mudança. Há também uma página no Facebook chamada
“Movimento Internet sem Limites” com cerca de 330 mil curtidas até o
momento. Podemos concluir que se o limite de dados da banda larga fixa for
realmente aprovado, as operadoras terão que ser bem claras e sinceras com os
usuários, apresentando planos que atendam a demanda e, principalmente, com a qualidade
e transparência que é apresentada em outros países. *Jonas Justo é CEO e
fundador da startup Melhor Escolha. Formado Bacharel em Engenharia Elétrica
pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP. Morou em
Londres, onde trabalhou em empresas de telecomunicações como Talk Talk e
Everything Everywhere atuando como gerente comercial e de planejamento. No
Brasil trabalhou na Telecom, Vivo.











