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Home Notícias

São Luis registra o maior numero de aidéticos do nordeste

MauroJorge Por MauroJorge
1 de dezembro de 2013
in Notícias
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São Luís registrou 3.076 casos de Aids, número que coloca a
capital maranhense como a primeira do Nordeste e a sexta do país em
ocorrências. A capital também está entre os 100 municípios onde foi observado
aumento de casos – 169% nos últimos cinco anos. Os dados são de levantamento do
Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, realizado em dezembro do ano
passado, referente ao período de 15 anos; e da Secretaria Estadual de Saúde
(SES).
 Os números podem ser
bem maiores, pois, os casos registrados são apenas de portadores que já
desenvolveram a doença. Para tentar frear o avanço, a Secretaria Municipal de
Saúde (Semus), por meio do Programa Municipal de DST/Aids e Hepatites Virais,
promove a Semana Municipal de Prevenção às DST/Aids, em comemoração ao Dia
Mundial de Luta Contra a Aids (1º de Dezembro). A campanha prossegue até dia 10
de dezembro. A programação inclui oficinas de cursos aos profissionais da área,
atividades educativas e preventivas em várias unidades de saúde e nos terminais
de integração. Em entrevista a O Imparcial, o coordenador do setor, Claudean
Serra, relata os projetos desenvolvidos para a prevenção, combate e controle da
doença, destaca a importância em fazer o teste regularmente e fala das ações de
atendimento à população.
Repórter l: Como será a campanha?
Claudean Serra: Vamos oferecer capacitação aos profissionais
da saúde, realizar ações educativas e de prevenção nos terminais de integração
com distribuição de material informativo e preservativos masculinos e
femininos. Os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs) do Anil e Lira vão
realizar testagens de HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Também teremos vacinação
contra as hepatites A e B e distribuição de camisinhas nas unidades básicas de
saúde. E hoje, dia Mundial de Luta contra a Aids, vamos promover uma caminhada
na Avenida Litorânea, onde esperamos a participação de cerca de mil pessoas.
Pedimos para que, preferencialmente, as pessoas usem vermelho, pois, no final
do trajeto vamos formar um grande laço que representa a luta contra a doença em
todo o mundo. Precisamos mostrar a importância da prevenção, pois temos dados
epidemiológicos alarmantes.
Repórter  – Como é
formada a rede de atendimento da capital?
CS – Além das campanhas, trabalhamos com o diagnóstico e
tratamento nos CTAs do Anil, Lira e no Centro de Saúde Bairro de Fátima. Neste
último é feito o tratamento, onde o paciente recebe medicação e é acompanhado
por equipe multidisciplinar. Estes espaços funcionam de segunda a sexta, manhã
e tarde. Paralelamente, todas as unidades básicas de saúde municipal dispõem de
preservativos masculino e feminino e o gel lubrificante para distribuição
.Repórter – Quais ações são promovidas pelo setor?
CS – Temos ações durante todo o ano. No dia mundial de
combate à doença realizamos campanhas e serviços. Em datas comemorativas como
Festas Juninas e Carnaval; e em escolas, universidades e outras instituições
realizamos a testagem e distribuição de preservativos. Atuamos onde há aglomerado
de pessoas.
Repórter  – Como
ocorre o exame de testagem rápida?
CS – É feito em sala individual com análise de uma gota de
sangue retirada com um furinho no dedo. O teste rápido é tão confiável quanto
os testes de laboratório e é garantido pela Anvisa e Ministério da Saúde. Em 15
minutos tem-se o resultado.
Repórter  – Qual a
demanda por este exame e sua avaliação dos resultados?
CS – A média é de mil exames por mês nos centros de
referência. Se somarmos as campanhas no mês, temos aí cinco mil testes mensais,
em média. O teste é garantido, há o sigilo à pessoa e tem sido muito bem aceito
pela população. Falta, talvez, um pouco mais de divulgação.
Repórter  – Há
população de risco?
CS – Trabalhamos com profissionais do sexo e usuários de
drogas, não que sejam população de risco, mas sim, vulneráveis, devido algumas
práticas, por isso realizamos um intenso trabalho com este público aos fins de
semana e noite.
Repórter – Quanto ao levantamento do Ministério da Saúde,
quais as implicações destes registros?
CS – Os registros nos levam a intensificar mais as ações já
realizadas, fazer com que as pessoas deem mais importância à doença e garantir
mais acesso ao serviço. E quando realizamos os testes rápidos acabamos por
descobrir mais casos e a partir disto, criamos mais estratégias para prevenção
e tratamento.
Repórter – A que o senhor atribui os registros?
CS – A principal via de transmissão da doença é a sexual e
as pessoas têm ainda um tabu ao falar em sexo. Mesmo com as campanhas, os
registros crescem porque as pessoas ainda veem a Aids como doença do outro e
não veem a importância de se prevenirem. O fato da doença já ter um tratamento
e garantir uma sobrevida, as pessoas acabam por banalizar os riscos. E o vírus
passa muito tempo sem manifestação, ou seja, a pessoa pode ter a doença, mas
não sabe. Dados do Ministério dizem que um em cada quatro jovens não usa o
preservativo. Então, são várias as situações que somam no aumento de casos. As
pessoas devem entender que a Aids tem tratamento, mas não tem cura e que usar
preservativos é a única maneira de se prevenir.
Repórter – Quais as maiores dificuldades para estabelecer a
política de atendimento?
CS – As escolas ainda têm um pouco de resistência em tratar
da questão sexual por associar ao incentivo às práticas sexuais; há o
preconceito por ser uma doença que não tem cura; e as pessoas que não veem o
problema e não se previnem.
Repórter  – O que
ainda falta para diminuir estes registros?
CS – Mais investimento em campanhas de prevenção e
informação, pois a falta de conhecimento leva a pessoa a ter práticas de risco;
e garantir à população o acesso aos insumos – tratamento, medicamentos,
materiais. Se isso funcionar em harmonia teremos um ciclo de prevenção.
Fonte : O Imparcial 
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